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quinta-feira, 12 de março de 2020

GUERRA DE CANUDOS

Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos foi um conflito armado que envolveu o Exército Brasileiro e membros da comunidade sócio-religiosa liderada por Antônio Conselheiro, em Canudos, no interior do estado da Bahia.

Os confrontos ocorreram entre 1896 e 1897, com a destruição da comunidade e a morte da maior parte dos 25 000 habitantes de Canudos.

A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.

Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, 15 de novembro de 1889, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia.

Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, o que apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos.
Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial. Continue lendo...

terça-feira, 23 de maio de 2017

FRANCIS DRAK

Sir Francis Drake, Vice-Almirante (1540 - 27 de Janeiro 1596) foi um capitão Inglês, corsário, navegador, um pirata famoso e um político da era elisabetana. Elizabeth I da Inglaterra, filha de Eduardo VII, condecorou Drake de cavaleiro em 1581. Ele foi o segundo em comando da frota Inglesa contra a Armada Espanhola em 1588, subordinado apenas a Charles Howard e à própria rainha. Ele morreu de disenteria em janeiro 1596, depois de um mau ataque a San Juan, Porto Rico. Suas façanhas eram lendárias, tornando-o um herói para os Ingleses, mas um pirata para os espanhóis, a quem ele era conhecido como El Draque,"Draque" sendo a pronúncia espanhola "Drake". Seu nome em latim era Franciscus Draco ("Francis the Dragon") . O rei Filipe II foi reivindicado por ter oferecido uma recompensa de 20.000 ducados, cerca de £4.000.000 (EUA $ 6,5 milhões) pelos padrões modernos, por sua vida . Ele é famoso por (entre outras coisas), levando a primeira volta ao mundo Inglesa em 1577-1580.

Ficou conhecido por sua luta obstinada contra Felipe II da Espanha e por ter sido o primeiro dos grandes da marinha inglesa. Liderou a esquadra inglesa que derrotou a Invencível Armada, tida como a maior força naval da Europa à época, com desvantagem numérica e poucos mantimentos, assegurando a supremacia naval britânica. Fez pirataria nas Caraíbas contra navios e possessões espanholas, viajou ao longo da América do Norte e foi o primeiro comandante inglês a circum-navegar o mundo.

Biografia

Alguns historiadores afirmam que teria sido filho bastardo de Isabel I de Inglaterra. Chegou a capitão de navio aos vinte anos de idade. Dois anos mais tarde foi atacado e derrotado pela Armada Espanhola, perdendo o navio e quase perdendo a vida, o que lhe legou um ressentimento profundo aos espanhóis.

Em 1577, a rainha enviou Drake numa expedição para atacar os espanhóis ao longo da costa do Pacífico nas Américas. Drake partiu no Golden Hind, atravessou o estreito de Magalhães, devastou os territórios espanhóis das costas ocidentais da América, tomou posse da Califórnia (a que chamou "Nova Albion"), e regressou à Europa via Índias Orientais pela rota do cabo da Boa Esperança, tendo completado a segunda circum-navegação do mundo (1580). O seu golpe mais famoso foi o ataque ao galeão espanhol Cacafuego (1579) ao largo da costa do Panamá.

Em 1588 liderou a Armada Inglesa no ataque à Invencível Armada espanhola, da qual afundou vinte e três navios.

Morreu em 1595 após um ataque ao Panamá, afirma-se que de disenteria, tendo o seu corpo sido sepultado nas águas do Caribe. Segundo a lenda, o seu corpo foi lançado ao mar trajando uma armadura de ouro de dezoito quilates, com sua espada, também de ouro.

A Passagem de Drake tem esse nome em sua homenagem.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Entradas e Bandeiras: Bandeirantes alargaram os limites do Brasil

História do Brasil


Foi a partir do século XVII que as terras do interior do Brasil passaram a ser rotineiramente exploradas. O desbravamento e povoação dessas terras foram iniciados por expedições pioneiras chamadas de Entradas e Bandeiras. As Entradas geralmente eram expedições oficiais, ou seja, foram organizadas pelo governo da autoridade colonial. Já as Bandeiras tinham motivação particular, isto é, eram organizadas por colonos que se estabeleceram nos povoados.

Os historiadores ainda hoje debatem sobre a caracterização dos dois tipos de expedições, mas ainda assim aceitam a diferenciação mencionada acima. O mais importante é entender os fatores que ocasionaram a criação das Entradas e das Bandeiras e as mudanças que essas expedições provocaram no processo de colonização do Brasil.

Riquezas e escravos

As Entradas e Bandeiras foram expedições organizadas para desenvolver o interior, além de procurar riquezas minerais, tais como ouro, prata e pedras preciosas. Não foi uma tarefa fácil organizá-las, e muito menos explorar o interior do território brasileiro, havia a necessidade do preparo de muitas provisões, como alimentos, armas e instrumentos, que deveriam ser transportados por animais e pelos próprios exploradores.

Outra tarefa difícil era reunir homens corajosos que estivessem dispostos a penetrar mata adentro, sem a certeza de que retornariam com vida para seus povoados e do êxito que teriam na descoberta de riquezas.

As Entradas, que eram organizadas pelo governo, tiveram início logo após a descoberta do Brasil. Já em 1504, Américo Vespúcio organizou uma Entrada composta por trinta homens que partiu de Cabo Frio e penetrou no sertão. Martim Afonso de Souza organizou duas Entradas. A primeira foi composta por quatro homens, saiu da Guanabara e permaneceu no interior por cerca de dois meses. A segunda foi composta por cerca de 80 homens e chefiada por Pedro Lobo. Saiu da ilha de Cananeia (no atual estado de São Paulo) e jamais retornou. Após o estabelecimento do Governo-Geral em 1548, as Entradas passaram a ser organizadas com mais frequência, porém  restringiram-se a explorar o interior da Bahia e de Minas Gerais.

São Vicente e São Paulo

As Entradas começaram a declinar no início do século 17, enquanto as Bandeiras, começaram a se expandir no início desse mesmo século e se estenderam por todo o século seguinte. Foi na vila de São Vicente que surgiram as primeiras Bandeiras. O solo dessa região, impróprio para o plantio da cana-de-açúcar, ocasionou o rápido declínio da produção açucareira levando a estagnação econômica dos povoados. Os habitantes da região tiveram então que encontrar outra atividade econômica para sobreviver. A alternativa foi a organização das expedições desbravadoras.

Mas a Vila de São Paulo também ficou famosa pela organização de expedições bandeirantes. As Bandeiras organizadas pelos habitantes de ambas as vilas dedicaram-se, inicialmente, a convencer os índios a trabalharem na mão de obra escrava dos engenhos produtores de açúcar, situados nos ricos solos do Nordeste brasileiro. Seus alvos principais eram as missões jesuíticas que concentravam grande número de índios em fazendas, para serem pacificados e depois catequizados pelos religiosos da Companhia de Jesus.

O colégio de Piratininga

Foram os jesuítas, liderados pelo padre Nóbrega, que se estabeleceram na região de Piratininga, fundando um pequeno povoado que cresceu e deu origem à vila de São Paulo. Tudo começou com a construção de um colégio e uma casa, que eram locais para catequese dos índios. Com o surgimento das Bandeiras e das atividades de caça e apresamento dos índios, os jesuítas entraram em conflito com os bandeirantes. Na década de 1640, os bandeirantes expulsaram os jesuítas de São Paulo. Muitas missões jesuíticas, além das que se fixaram em Piratininga, foram destruídas pelos bandeirantes.


Substituição do índio pelos afro-descendentes

Com a substituição do índio pelo afro-descendente no trabalho escravo da grande lavoura, o ciclo do bandeirismo de caça e apresamento dos nativos declinou. Os bandeirantes passaram, então, a se concentrar na exploração de riquezas minerais. As Bandeiras organizadas pelos habitantes da Vila de São Vicente começaram a procura de ouro nos leitos dos rios da região e se expandiram pela zona litorânea.

As Bandeiras organizadas pelos habitantes de São Paulo, com o mesmo propósito, foram motivadas a penetrar no sertão brasileiro, favorecidas pela situação geográfica da vila e pelo curso dos rios da região, que facilitavam a exploração do interior. Mas é importante assinalar que a participação do elemento indígena não parou por completo, pois os próprios bandeirantes passaram a utilizar a mão-de-obra indígena nas pequenas lavouras de subsistência e até nas próprias expedições de exploração.

Povoamento e expansão territorial

É bom acrescentar que as expedições bandeirantes tiveram importância crucial para o povoamento, diversificação das atividades econômicas e expansão territorial do Brasil colonial. Ao longo das trilhas percorridas e dos caminhos abertos pelos bandeirantes foram surgindo diversos povoados. As Bandeiras que percorreram o litoral à procura de ouro, partindo de São Vicente, deram origem às vilas de Itanhaém, Iguape, Paranaguá, Laguna e Desterro, entre outras. A penetração no sertão deu origem a vilas e arraiais como Cuiabá, Vila Rica, Diamantina, Sabará e Mariana, entre outras.

As expedições bandeirantes também possibilitaram a descoberta de riquezas minerais como ouro, prata e diamante, metais preciosos que deram origem a um novo ciclo econômico de exploração colonial. O êxito dos bandeirantes, principalmente na descoberta de metais preciosos, fez com que a Coroa portuguesa passasse a financiar muitas expedições com o objetivo de encontrar essas riquezas minerais e explorá-la como alternativa à crise econômica provocada pelo declínio da produção do açúcar.

Enquanto as Entradas respeitavam os limites territoriais fixado pelo Tratado das Tordesilhas, que dividia as terras do continente americano entre Portugal e Espanha, as Bandeiras geralmente ultrapassavam essa fronteira, em direção às regiões Sul, Norte e Centro Oeste. Entre 1580 e 1640, durante 60 anos, Portugal ficou sob domínio Espanhol. Durante esse período, também conhecido como a união das Coroas ibéricas, a Espanha governou Portugal e todos os seus domínios. Nessa época, os bandeirantes não encontraram resistências quanto a ultrapassar Tordesilhas. Quando Portugal se libertou do jugo espanhol o território colonial brasileiro havia se ampliado significativamente, tendo grande participação nessa ampliação a grande expedição de Pedro Teixeira através dos rios Amazonas e Napo em 1637.

 Mitos e monumentos

As Bandeiras deram origem a narrativas épicas, mitos e lendas sobre o desbravamento e conquista do sertão brasileiro, que hoje fazem parte da cultura luso-brasileira e do simbolismo regional. Embora tenham tido momentos não muito amigáveis com os nativos, os bandeirantes são retratados como homens heróicos, portadores de coragem, bravura e espírito aventureiro, que penetraram na mata e desbravaram a vastidão do interior até então desconhecido, enfrentaram e dominaram índios, descobriram e exploraram riquezas minerais e fundaram povoados.

Na capital paulista, outrora vila e centro irradiador das expedições bandeirantes, ergueu-se um Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, um dos mais importantes escultores brasileiros. E bandeirantes famosos como Bartolomeu Bueno da Silva (conhecido como Anhanguera), Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias Pais, foram homenageados tendo seus nomes dados a importantes rodovias que percorrem o interior do Estado de São Paulo e ligam este à Região Sul.